Artigos / Cultura Empresarial
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Há algum tempo, o telefone tocou na empresa.
Um casal estrangeiro informava que o vidro da tampa protetora do fogão de indução tinha partido.
Foi enviada uma pessoa da operação para avaliar a situação que voltou genuinamente surpreendida.
O casal tinha tentado fritar um ovo em cima da tampa de vidro.
Não por negligência, mas porque simplesmente não sabia como utilizar o fogão.
Podemos discutir responsabilidades.
Mas, do ponto de vista operacional e da experiência do hóspede, a questão relevante é outra: este incidente teria uma probabilidade muito menor de acontecer se existisse um manual de uso claro, simples e multilíngue.
Hoje, este tipo de prevenção é trivial.
Qualquer equipamento pode ter um pequeno autocolante com um QR code. Um ícone discreto, um "?", é suficiente para indicar ao hóspede que, a um clique de distância, existe uma explicação.
É verdade que isto acrescenta tempo ao onboarding da propriedade.
Mas quando este processo é integrado no SOP da operação e apoiado por alguma padronização de equipamentos, o esforço inicial dilui-se rapidamente.
Há, no entanto, um ponto que considero essencial e que muitas vezes é subestimado.
Quanto maior for o investimento na propriedade, quanto maior for o nível de conforto e de luxo, maior é a necessidade deste tipo de processo.
Propriedades mais sofisticadas tendem a ter equipamentos mais avançados e menos intuitivos. Fogões de indução, sistemas de climatização complexos, painéis touch, automações, estores eléctricos, sistemas de som integrados. Tudo isto eleva a experiência, mas também aumenta o risco de fricção quando não existe orientação clara.
Neste contexto, a forma como a informação é disponibilizada faz toda a diferença.
Quando o manual de uso está bem estruturado e acessível no momento certo, o hóspede ganha autonomia. Muitas dúvidas resolvem-se sem contacto com a operação, reduzindo interrupções, desgaste e erros de utilização.
Existe, contudo, uma regra básica que nunca muda.
Qualquer sistema é tão bom quanto a qualidade da informação que lhe é fornecida. Informação mal preparada gera confusão à mesma escala.
Por isso, o onboarding de uma propriedade deve ser encarado como um investimento e não como um custo.
O tempo dedicado a preparar manuais, estruturar informação e pensar a experiência de forma preventiva é recuperado rapidamente através da redução de incidentes, da diminuição de contactos desnecessários e de uma experiência mais fluida, tranquila e consistente para o hóspede.
No fim, o luxo não está apenas no que se oferece.
Está também na ausência de problemas.